Angélica: aliada natural da digestão, da respiração e do equilíbrio emocional

A angélica (Angelica archangelica e espécies próximas do gênero Angelica) é uma planta medicinal perene muito utilizada na fitoterapia tradicional europeia e asiática. Embora não seja nativa do Brasil, é bastante conhecida e cultivada devido aos seus diversos usos terapêuticos. Popularmente, também recebe nomes como erva-do-espírito-santo, raiz-do-espírito-santo, arcangélica ou jacinto-da-índia.

As partes mais utilizadas da planta são principalmente a raiz, mas também podem ser empregadas as folhas e sementes, de onde são extraídos compostos bioativos importantes para a saúde.


Propriedades e composição

A angélica é rica em óleos voláteis (como β-pineno, α-felandreno e limoneno), cumarinas (angelicina e escopoletina), além de flavonoides e minerais como ferro, magnésio, potássio e zinco. Esses componentes conferem à planta propriedades digestivas, anti-inflamatórias, antioxidantes, protetoras gástricas, calmantes, diuréticas, expectorantes e tônicas.

Benefícios e para que serve

  1. Auxílio à digestão
    A angélica é amplamente utilizada para aliviar má digestão, excesso de gases, azia, sensação de estufamento e desconfortos abdominais, estimulando o funcionamento do sistema digestivo.

  2. Efeito calmante e relaxante
    Por sua ação ansiolítica leve, a planta pode ajudar a reduzir nervosismo, ansiedade e favorecer o relaxamento, contribuindo também para a melhora do sono em casos de insônia leve.

  3. Ação anti-inflamatória
    Seus compostos auxiliam na redução de processos inflamatórios, sendo tradicionalmente empregada para aliviar cólicas, dores de cabeça, enxaquecas e inflamações articulares, como na artrite reumatoide.

  4. Saúde respiratória
    A angélica pode auxiliar no alívio de sintomas de gripes, resfriados, tosse, bronquite crônica e congestão nasal, especialmente quando utilizada em forma de chá, inalação ou aromaterapia.

  5. Saúde feminina
    Na medicina tradicional oriental, o gênero Angelica é conhecido como “ginseng feminino”, sendo usado como apoio em casos de cólicas menstruais, irregularidades do ciclo, sintomas da menopausa e ausência de menstruação.

  6. Proteção gástrica e circulação
    A planta apresenta efeito protetor do estômago e pode auxiliar na má circulação, sendo usada tradicionalmente como tônico geral do organismo.

  7. Uso tópico e dermatológico
    O óleo essencial de angélica pode ser aplicado externamente para auxiliar em problemas de pele, como contusões, micoses, psoríase, herpes simples e inflamações, graças à sua ação anti-inflamatória, antifúngica e antiviral.

Formas de uso

  • Chá ou infusão: preparado principalmente com a raiz seca, utilizado para problemas digestivos, ansiedade leve e desconfortos gerais.

  • Óleo essencial: empregado em aromaterapia, inalações ou diluído para uso tópico.

  • Aromaterapia: indicada para promover relaxamento mental, aliviar ansiedade e melhorar o foco.

  • Uso culinário: em algumas culturas, hastes e talos são cristalizados ou usados como aromatizantes.

  • Banhos e usos ritualísticos: tradicionalmente associados à proteção e fortalecimento energético.

Cuidados, efeitos colaterais e contraindicações

Apesar de natural, a angélica deve ser usada com cautela e moderação. O consumo excessivo pode causar irritação gastrointestinal, aumento de açúcar na urina e reações adversas. O uso tópico, especialmente do óleo essencial, pode provocar fotossensibilidade, aumentando o risco de manchas na pele quando há exposição ao sol.

A planta não é indicada para gestantes, pois pode estimular contrações uterinas. Também não é recomendada para lactantes, diabéticos, pessoas com úlceras gástricas ou condições de saúde específicas, salvo sob orientação profissional. Crianças e pessoas sensíveis devem evitar o uso sem acompanhamento.

Considerações finais

A angélica é uma planta medicinal tradicionalmente valorizada por seus efeitos digestivos, calmantes, anti-inflamatórios e respiratórios, além de seu simbolismo cultural e espiritual. Quando utilizada de forma consciente e com orientação adequada, pode atuar como um importante complemento natural para o bem-estar físico e emocional, sem substituir tratamentos médicos convencionais.

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